sábado, 2 de abril de 2011

Colonos Islandeses na Europa

 Os imigrantes islandeses eram vistos com reservas pela maioria dos povos europeus, e em alguns lugares, como o interior da França e o norte da Espanha, com bastante hostilidade. Geralmente estranhados pela sua baixa estatura, e às vezes pela palidez incomum de suas peles, os imigrantes eram considerados estranhos, e seus hábitos exóticos: Um pequeno burocrata francês, por exemplo, jamais poderia entender o fato de a grande maioria dos islandeses não possuir sobrenome, usando apenas o nome de seus pais após o seu (por exemplo, um islandês chamado Auður Eiðsson, tivesse um filho chamado Pétur Auðsson, este teria, por sua vez, um filho cujo sobrenome será Pétursson ou uma filha de sobrenome Pétursdóttir, sem herdar o sobrenome do avô). O sobrenome comum só passou a ser usado na Islândia por volta de 1100, por famílias influentes ou de ascendência nobre que buscavam deixar evidente o status de sua herança (como os risastór Björt, de Akureyri, família da qual descende o Almirante Geir Björt, os tradicionais Bergþór de Isafjörður, o clã militar dos Lynd em Reykjavík, e a família Leynt, dos antigos legisladores de Kopavógur). Para os europeus, os coros festivos islandeses são muito desolados e de mau gosto extremo, ainda mais pelo fato de raramente possuírem qualquer acompanhamento instrumental senão tambores de som grave e uma estranha variedade de harpas de um timbre bizarro, e a culinária islandesa é considerada por muitos repugnante (hábitos como comer a cabeça, os testículos e os rins dos ovinos, salsichas de sangue, gelatina de raspas de pele e a carne apodrecida de peixes cartilaginosos são simplesmente enojados pelos europeus do sul) assim como a peculiaridade vista como grotesca de as crianças usarem como brinquedo as carcaças e os ossos das ovelhas (sobretudo as mandíbulas e o fêmur). Os europeus também acham ridículo a tradição já quase ancestral do "Jónsmessa", dia do ano em que os islandeses crêem que as vacas adquirem o poder de falar com as pessoas, que se não ouvem-nas da forma certa, podem mesmo vir a enlouquecer com a grande sabedoria bovina (a tradição dos islandeses representa as vacas como detentoras de grande sabedoria e dons de profecia, aos quais poucos homens são capazes de compreender. Uma vaca, segundo a lenda contada no Bók Byrja, teria avisado Einar Díðrik de que seu povo já poderia subir às superfícies de Reykjavík), e também acham obsceno o costume de nesse mesmo dia se rolar nu pela grama nas primeiras horas do dia afim de se ungir com o orvalho (que os islandeses acreditam possuir poderes curativos), e vêem como insanas e supersticiosas as mocinhas islandesas que saem aos quintais durante esse dia à procura das míticas e brilhantes "pedras dos desejos" e temem ser seduzidas por focas, que nesse dia se transformam em belos rapazes, ou atacadas por invisíveis criaturas zombeteiras, porém bondosas, conhecidas como "álfar", que vivem nas rochas, e no Jónsmessa aparecem durante a noite para os humanos.
 Todas essas incompreensões ajudam a tornar a assimilação ainda mais impossível do que já é devido à mentalidade e à cultura dos próprios islandeses. Principalmente após a afirmação do Culto de Reykjavík em 1185, quando foi muito difundida a idéia da superioridade do sangue islandês sobre os europeus (principalmente os do sul, chamados de "pretos", com quem o simples contato físico já não é tolerado). Uma idéia de superioridade moral também é bastante sustentada, por isso os colonos islandeses evitam realizar comércio e transações com os locais, temendo a "inata desonestidade dos povos da Europa". Muitos dos colonos islandeses se recusam a pagar impostos aos estados europeus