quinta-feira, 31 de março de 2011

A Islândia em 1189

 O décimo segundo século da vinda do Mensageiro de Haia representou uma virada incrível na história dos islandeses. Aquilo que em 1100 era um reino próspero, porém pobre dependente da pesca e de um comércio muitas vezes desfavorável com a Noruega e a Irlanda, chegava àqueles dias de 1189 como a grande potência ascendente, não só do continente europeu, mas como de todo o Hemisfério Norte. O Império Islandês, que começara com a corajosa expulsão dos administradores noruegueses pelo príncipe Sígur III através da Declaração de Reykjavík, e que só fora reconhecido por Haia e pela Noruega em 1145, com certa antipatia, já completava seus 46 anos de vertiginosa expansão, tendo multiplicado desde 1163, quando da fundação da colônia groenlandesa de Brosið, (em islandês "sorriso"), que segundo uma lenda bastante difundida, deve seu nome ao sorriso do seu primeiro colonizador, Pétur Ljünðsson ao receber em sonho a visita de um ser de luz durante a primeira noite que avistaram a imensidão da nova terra, dizendo-lhe que aquele seria o primeiro passo da "ilha do topo do mundo" à conquista do "seu Mundo".

 A expansão do Império Islandês já era de fato algo discutido mesmo antes de sua independência. Os acontecimentos do começo do século foram desastrosos: A queda do Reino em 1112 devido à irresponsabilidade do rei Eirikur I em fechar o porto de Reykjavík e sobretudo o terror ainda marcante representado pela brutal invasão do rei irlandês Owen II e seus seguidores em 1121, que resultou no estabelecimento da efêmera Nova Hibérnia, que quase obteve êxito na conquista da Islândia, sento detida apenas pelo intermédio bem-sucedido de Reykjavík junto à Noruega, que esmagou os invasores em Faxaflói (mês Cinzento do ano 1132), e resultou na imposição do Principado e da proteção norueguesa através do Tratado de Jørpeland, e anos mais tarde na vergonhosa derrota na Guerra da Escandinávia (1140-1142). Todos esses eventos, principalmente após 1158, com o pronunciamento de Ólafur Leynt no Alðing que deu início à estruturação do Primeiro Plano de Expansão do Império Islandês, fomentaram muito a idéia de que a Islândia não mais deveria ser uma ilha isolada e depender apenas do comércio nem sempre favorável com as nações da Europa. Ao mesmo tempo, havia um temor ainda maior de que devido ao seu isolamento e à sua pequena força militar, a Islândia ficasse novamente suscetível a invasões estrangeiras e a atentados contra a sua soberania. O Império Islandês deveria impor respeito mostrando seu poderio e sua grandeza a partir de extensos domínios. Esse expansionismo era olhado com reservas pelo imperador Sígur III, mas extremamente incentivado por seu herdeiro, o príncipe Dágur Sígursson. Com a morte de Sígur, e a coroação de Dágur I na segunda metade do ano de 1162, a expansão tornou-se uma prioridade imediata, e seu destino inicial seria submeter vassalos e agregar aliados entre as pouco povoadas e enfraquecidas nações da América do Norte. 
 Derrotando o fraco rei Yutke, da Groenlândia e firmando consistentes alianças com os povos conhecidos como "canadiens" (organizados em cidades independentes, sendo as mais importantes Montreal, Toronto e Ottawa), os islandeses subjugaram o Estado do Grande Saguenay (única ameaça relevante na região) e tornaram-se os grandes senhores do Canadá (em 1172, após a vitória islandesa sobre o Grande Saguenay em Tadoussac, o pacto de aliança torna-se um pacto de proteção, fazendo com que os canadiens se tornem súditos do imperador Dágur I). Comercialmente, essa primeira expansão possibilitou o contato dos islandeses com outros povos e a fundação de praças mercantes bastante lucrativas (Massachussets, Manhattan e Rhode, 1172; Illinois, Michigan e Niagara, 1173), o que gerou muito lucro principalmente para as poucas famílias de islandeses que se aventuravam à imensidão da América Islandesa (desde o Bók Byrja, livro escrito Íngólfur Eiðsson por volta do ano 520, e que continha lembranças narradas entre os islandeses que vinham desde o Tempo do Caos, temia-se as pestes que, acreditava-se, assolavam os americanos desde os anos do Opinberun), e que comercializavam produtos inexistentes na Islândia e, em grande parte das vezes, mesmo em toda a Europa. A qualidade de vida dos islandeses, contudo, não melhorou muito, e com o crescimento constante da população, muitas famílias emigravam, sobretudo do interior da ilha, rumo ao continente europeu (os principais destinos eram os países nórdicos, a Alemanha, a França, a Polônia e a Itália, sendo menos frequente, mas também importante a presença de imigrantes islandeses na Espanha, na Holanda e na Irlanda), onde geralmente possuíam condições de vida um pouco mais dignas, chegando à riqueza em alguns casos.
 A conquista da América enriqueceu muito o Império Islandês, que passou a investir mais na sua defesa, e o seu exército era em 1189 o mais numeroso de toda a Europa, embora pecasse com relação aos equipamentos de artilharia (à exceção dos temidos "pípulaga byssu", grandes canhões usados em navios para bombardear portos e áreas costeiras, os islandeses não produziam armas de fogo), e sua marinha era temida como nenhuma outra (os "fljugándi bát", barcos rápidos islandeses faziam dos enormes galeões europeus uma presa fácil, e só seriam ameaçados pelos navios incendiários gregos e italianos anos mais tarde). Os soldados islandeses são tidos como guerreiros furiosos, e sua infantaria de elite, formada principalmente por risastórs, é especialmente temida (geralmente armados com machados leves, típicos do exército islandês, e escudos circulares, os gigantes causaram horror aos exércitos que os enfrentaram na Irlanda e na Dinamarca, por seu tamanho, furor e forma de movimentação, e isso rendeu aos islandeses em geral a alcunha de "tenebrosos" entre os europeus).
 Com seu tamanho extendido em várias vezes, o Império passou a buscar novos espaços e papéis na política européia, deixando sua condição "subalterna" perante a outras nações e buscando se afirmar de forma mais equilibrada em suas relações exteriores. Tais anseios do Império despertavam o alerta do Culto Neo-Europeu e das potências dominantes. Atos como a revisão dos acordos comerciais imposta por Dágur I em 1180 à Noruega preocupavam os dirigentes de Haia (que consideravam os islandeses um povo de fé fraca, que precisava ser guiado por seus vizinhos rumo à Redenção) e também os estados mais poderosos do norte europeu (sobretudo o reino norueguês). Os noruegueses eram alvo principal da antipatia dos islandeses, e, num momento de extremado sentimento de pertencimento a um Império e de zelo pela sua soberania, o conflito foi inevitável. O modesto Reino das Ilhas Faeroe, que foi em parte pivô da ruptura do regime de protetorado imposto pela Noruega, apareceria denovo com um papel fundamental, devido aos incidentes causados pela mais combatida das organizações criminosas da Islândia: A ÓVS, que tinha como segundo homem Erik Karlsen, o sobrinho e herdeiro do monarca faeroês. Detido pelas guardas imperiais nas proximidades de Keflávik, Karlsen foi levado a Vestmannaeyjar, sendo negada a sua extradição a Faeroe, onde ele certamente seria absolvido. A recusa foi entendida como uma afronta da Islândia à soberania do arquipélago, e o conscientemente fraco reino faeroês recorreu à Noruega, sua grande aliada, de quem dependia política e economicamente, impondo aos islandeses um rígido boicote comercial. Diferentemente de outrora, o golpe quase não foi sentido, e o imperador permaneceu irredutível na sua determinação de manter Karlsen preso. O estopim ocorreu finalmente no 11º dia do mês Ímpero de 1183, quando três naus da marinha faeroesa atacaram sem sucesso a ilha de Surtsey afim de libertar o príncipe herdeiro. Essa violação enfureceu Dágur I e precipitou o envolvimento do Império em sua primeira guerra contra um inimigo neo-europeu, e na primeira grande demonstração de poderio bélico da Islândia à Europa, conquistando Thorshávn em poucas horas e derrotando a esquadra norueguesa do orgulhoso Almirante Grønfjordening. O conflito da Islândia contra seus antigos protetores era mais do que iminente.

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